Por que não existe um formato nacional
Nos EUA a carteira de motorista é emitida por cada estado (e pelo Distrito de Columbia), não pelo governo federal. A AAMVA, associação que reúne os órgãos de trânsito da América do Norte, publica o padrão de design de cartões de habilitação e ID, em edição de 2025, que trata de aspectos do cartão como códigos de barras unidimensionais e bidimensionais. A página não define um formato para o número do documento, e é aí que a diversidade nasce: cada estado herdou o seu sistema de numeração, muitas vezes de décadas atrás, quando o número era só uma chave interna de um banco de dados.
O resultado prático é um mosaico. Alguns estados usam só dígitos, outros começam com uma letra, alguns misturam letras no meio, e vários admitem mais de um formato ao mesmo tempo porque cartões antigos continuam válidos. Listas de padrões usadas por ferramentas de prevenção de vazamento de dados, como a referência de números de habilitação da Skyhigh Security, mostram isso: o Arizona aparece com 9 dígitos ou 1 letra seguida de 8 dígitos, e a Dakota do Norte com um desenho de 3 letras, 2 dígitos e 4 dígitos. Trate esse tipo de lista como pista de terceiros, não como especificação; a seção seguinte usa apenas o que órgãos oficiais dizem.
- Número da carteira (DLN)
- O identificador do motorista dentro do sistema do estado. É o que formulários, seguradoras e verificações de emprego pedem.
- Número do documento
- Identifica o cartão físico específico e muda a cada renovação ou segunda via. Nova York distingue os dois de forma explícita.
- Estado emissor
- Quem define o formato. O mesmo número com os mesmos dígitos pode ser válido em um estado e impossível em outro.
Os formatos que fontes oficiais confirmam
A tabela abaixo reúne apenas o que conseguimos conferir em páginas de órgãos estaduais, manuais de uso policial ou documentos federais. Estados que não aparecem aqui não são "desconhecidos": só não publicam o formato de forma que possamos citar. A Califórnia é um bom exemplo, porque o DMV pede o número em dezenas de formulários sem descrever a estrutura dele em nenhuma das páginas que consultamos.
| Estado | Formato confirmado | Observação da fonte |
|---|---|---|
| Pensilvânia | 8 dígitos | O número "DD" impresso embaixo, no centro do cartão, não é o número da habilitação. |
| Nova York | ID do DMV de 9 dígitos; número do documento de 8 ou 10 caracteres | O ID de 9 dígitos identifica a pessoa e não muda; o número do documento muda a cada novo cartão e mistura letras e números. |
| Flórida | 13 caracteres: 1 letra + 12 dígitos | Desde julho de 2024 os números novos incluem pelo menos 4 dígitos gerados aleatoriamente. |
| Washington | 12 caracteres, começando com "WDL" nos números atuais | Desde 4 de setembro de 2018: "WDL" seguido de 9 letras ou números aleatórios, sem relação com nome ou nascimento. |
| Illinois | 12 posições: 1 letra + 11 dígitos | Calculado por fórmula a partir de nome, sexo e data de nascimento (detalhes na próxima seção). |
Quando o número carrega o seu nome e a sua data de nascimento
O caso mais didático é Illinois. O manual LEADS da polícia estadual, de 11 de maio de 2022, explica que o número é "calculado por uma fórmula especial" e que cada número codifica o nome do motorista (sobrenome, primeiro nome ou inicial e inicial do nome do meio), o sexo e a data de nascimento. É por isso que um policial pode consultar a base com nome, sexo e nascimento: o sistema recalcula o número e o usa como chave de busca.
- Letra e três dígitos do sobrenomeA primeira letra do sobrenome, seguida de 3 dígitos derivados do restante dele. No exemplo do manual, "Y620".
- Três dígitos para o primeiro nome e o nome do meioUm código de 3 dígitos que representa o primeiro nome (ou inicial) e a inicial do meio. No exemplo, "930".
- Dois dígitos do ano de nascimentoOs dois últimos dígitos do ano. No exemplo, "57" indica 1957.
- Três dígitos de sexo e dia de nascimentoOs três últimos dígitos sinalizam o sexo e o dia de nascimento codificado. No exemplo, "270".
O manual também fixa regras que servem de teste de sanidade. Os dígitos 7, 8 e 9 nunca aparecem nas três primeiras posições numéricas. Os três últimos dígitos ficam entre 001 e 372 para homens e entre 601 e 972 para mulheres; a faixa de 373 a 600 não é produzida pela fórmula. Quando duas pessoas calculam o mesmo número, os três últimos dígitos são trocados por um valor atribuído entre 400 e 599. Aplicando isso: um número que termina em 270 cai na faixa masculina, um que termina em 725 cairia na feminina e um que termina em 450 só poderia ser um número de desempate. O cartão de identidade sem habilitação tem a letra no fim, e não no começo, segundo o mesmo manual.
- Até 2018Washington: números ligados à pessoa
Os números antigos eram construídos a partir de dados pessoais, segundo a cobertura da mudança de 2018.
- 4 de setembro de 2018Washington passa a emitir "WDL" + 9 aleatórios
Todos os cartões novos ou renovados recebem o número novo, de 12 caracteres, sem relação com nome ou nascimento.
- 11 de maio de 2022Illinois ainda documenta a fórmula
O manual LEADS dessa data descreve o cálculo a partir de nome, sexo e nascimento como método vigente.
- 31 de julho de 2024Flórida randomiza parte do número
Números novos passam a conter ao menos 4 dígitos aleatórios, por mudança no estatuto 322.14(1)(a); o número só muda de novo se o sobrenome mudar.
A direção da história é clara: números derivados de dados pessoais permitem que alguém que conheça nome e nascimento reconstrua grande parte do identificador, o que facilita fraude de identidade. Por isso Washington e Flórida mudaram. As informações sobre as duas mudanças estão na reportagem da KOMO sobre Washington e na cobertura do Ocala Gazette sobre a Flórida. Para quem desenvolve software, a lição é parecida com a de outros identificadores com dígito verificador: não deduza regra de negócio de um formato que o órgão pode trocar sem aviso.
Testando validações com dados sintéticos
Para QA, o objetivo é ter números com a forma certa de cada estado, em volume, sem usar o documento de uma pessoa real. A ferramenta abaixo gera um perfil sintético completo para os 50 estados e o Distrito de Columbia (nome, data de nascimento, endereço, datas de emissão e validade), desenha um cartão com marca d'água "SPECIMEN" e oferece um modo determinístico: com o mesmo nome, data de nascimento, estado e sexo você obtém sempre o mesmo perfil, útil para fixtures reproduzíveis. Uma aba de validação confere se um número tem a forma esperada do estado.
O que um gerador sintético faz bem
- Produz strings com o comprimento e a mistura de letras e dígitos esperados, para exercitar máscaras e regex.
- Permite repetir o mesmo caso de teste (modo determinístico) e gerar lotes para CSV.
- Mantém marca d'água e aviso no cartão para que a imagem não seja confundida com um documento.
O que ele não pode fazer
- Reproduzir fórmulas oficiais como a de Illinois: um número aleatório com a forma certa não "bate" com nome e nascimento.
- Provar que uma habilitação existe. Só o órgão estadual, ou um serviço autorizado por ele, confirma isso.
- Cobrir todos os formatos coexistentes: a ferramenta adota um padrão canônico por estado, uma simplificação deliberada.
Validar sem barrar usuários reais
Quem escreve a validação do campo "número da habilitação" tem dois riscos opostos: aceitar lixo e rejeitar números legítimos. Dado o que vimos, o segundo é o mais caro, porque um usuário real barrado desiste do cadastro. O caso de Nova York mostra como é fácil errar: o cartão tem dois números, um de 9 dígitos e outro de 8 ou 10 caracteres, e a própria página do DMV avisa que caracteres como I e 1 ou O e 0 podem parecer iguais.
- Aceite espaços e hífens na entrada e remova-os antes de validar (Illinois imprime hífens no cartão).
- Normalize para maiúsculas, mas não troque O por 0 nem I por 1 em silêncio.
- Valide por estado quando o estado já foi escolhido, e use uma faixa de comprimento ampla quando não foi.
- Não presuma que o formato é estável: Flórida e Washington mudaram em 2024 e 2018.
- Trate um acerto de formato como "plausível", nunca como "verificado".
- Não registre o número em logs de aplicação nem o devolva em mensagens de erro; é dado pessoal.
Um exemplo de regex tolerante para Flórida e Pensilvânia
Depois de remover espaços e hífens e passar para maiúsculas, a Flórida cabe em "uma letra + 12 dígitos" (13 caracteres) e a Pensilvânia em "8 dígitos". Em uma validação por estado, essas duas formas bastam; em uma validação sem estado, prefira checar apenas que o valor tem entre 5 e 20 caracteres alfanuméricos. A regra mais restrita só deve existir onde você sabe de qual estado o número vem.
Perguntas frequentes
Todos os estados dos EUA usam o mesmo formato de carteira de motorista?
O número da carteira muda quando eu renovo?
Dá para descobrir o nome ou a data de nascimento a partir do número?
Posso usar o gerador para criar uma carteira de motorista falsa?
Por que a Califórnia não está na tabela?
O número da carteira de motorista americana não tem formato nacional: cada estado decide, e alguns mudam o esquema com o tempo. Confie apenas no que o órgão estadual publica, valide o formato com tolerância, trate um acerto como "plausível" e use dados sintéticos, nunca documentos de verdade, para testar. O gerador entrega a forma certa por estado para QA; ele não prova que uma habilitação existe nem substitui a consulta ao órgão.
Fontes e referências
- AAMVA, Padrão de design de cartões de habilitação e ID (edição 2025)
- DMV de Nova York, documentos de amostra: ID de 9 dígitos e número do documento
- PennDOT, onde encontrar o número da habilitação (8 dígitos)
- E-Verify, ficha da Flórida: 13 caracteres, 1 letra e 12 dígitos
- Ocala Gazette, Flórida atualiza a numeração das habilitações (julho de 2024)
- KOMO News, mudanças nas habilitações de Washington (WDL + 9 caracteres)
- Washington DOL, guia do motorista: o número WDL
- Polícia Estadual de Illinois, manual LEADS: cálculo do número (11/05/2022)
- Skyhigh Security, referência de padrões de números de habilitação dos EUA (fonte de terceiros)