Quetzalcóatl, A Serpente Emplumada
Dá sopro às ideias e deixa o conhecimento circular
Você é a pessoa que dá o primeiro sopro numa ideia e depois a transforma em algo que os outros possam aprender. Nas fontes mexicas, Quetzalcóatl aparece como deus do vento (Ehécatl), ligado a Vênus, à escrita, aos artesãos, ao calendário e à escola dos sacerdotes. No relato mais conhecido, desce a Mictlan, o mundo dos mortos, atrás dos ossos com os quais seriam feitos os humanos da era atual. É mitologia histórica registrada em fontes, e a lemos como metáfora de traço de personalidade, nunca como prática de ninguém. A parte difícil é a imagem: tanta gente projetou nele o que queria ver que fica fácil você se perder entre o ideal e a pessoa real.
Tezcatlipoca, O Espelho Fumegante
Mostra o que você evita ver e muda o jogo
Você enxerga o que os outros evitam olhar e não resiste a mexer no tabuleiro. Nas fontes mexicas, Tezcatlipoca é o deus do espelho de obsidiana, patrono de nobres, guerreiros e comerciantes, descrito como caprichoso: podia dar ou tirar riqueza e saúde. Em uma das versões, ele tira Quetzalcóatl do poder em Tollan oferecendo-lhe uma bebida de maguey. Lemos isso como metáfora de personalidade, mitologia histórica e não prática. Combina com quem tem carisma, humor ácido e um jeito de virar a conversa a seu favor. O risco é a imprevisibilidade: quem vive mudando as regras acaba sem saber em quem confiar, nem mesmo em si.
Huitzilopochtli, O Colibri Guerreiro
Nasce pronto para defender os seus
Quando o grupo é ameaçado, você é quem se levanta primeiro, já pronto para a briga. Nas fontes mexicas, Huitzilopochtli é o deus do Sol e da guerra, protetor dos mexicas. No relato de Coatepec, nasce já armado, filho de Coatlicue, e vence a irmã Coyolxauhqui e a maioria dos irmãos que ameaçavam a mãe. Era um deus relativamente novo na religião mesoamericana, e poucas imagens antigas dele sobreviveram. Lido aqui como metáfora, mitologia histórica e não culto, ele combina com quem lidera pela coragem e pela lealdade. O ponto difícil é a pressa de ver inimigo em tudo e a dificuldade de baixar a guarda depois da luta.
Tláloc, O Senhor da Chuva
Faz crescer o que foi plantado, e sabe ser tempestade
Você tem um jeito de fazer as coisas crescerem: planta, espera, rega e confia na chuva. Nas fontes mexicas, Tláloc era o senhor da chuva, do raio e do granizo, patrono dos lavradores, já cultuado na Mesoamérica muito antes de os astecas chegarem ao planalto central. Podia mandar a água que alimenta o milho ou atrasá-la e mandar granizo. Quem morria por causas ligadas à água, como afogamento ou raio, ia, segundo a tradição, para Tlalocan, um paraíso verde. Lido aqui como metáfora, mitologia histórica e não culto, combina com quem sustenta os outros com paciência. O lado difícil é o humor das nuvens: quando falta atenção, você descarrega tudo de uma vez.
Xochiquetzal, A Flor-Quetzal
Faz da beleza uma forma de cuidado e de coragem
Você acredita que beleza, prazer e afeto não são frivolidade: são o que faz a vida valer o esforço. Nas fontes mexicas, Xochiquetzal, "flor de quetzal", era a deusa da juventude, do amor e da beleza, patrona de tecelãs, artistas e artesãos, e ligada ao prazer, não só à reprodução. Em uma das versões, o sangue dela virou flores depois da mordida de um morcego. Lida aqui como metáfora de personalidade, mitologia histórica e não culto, combina com quem cria e cuida ao mesmo tempo, com as mãos e com o olhar. O lado difícil é a sombra da gentileza: agradar tanto à festa e aos outros que os próprios limites ficam sem voz.
Coatlicue, A Saia de Serpentes
Mãe da terra que dá e recolhe a vida
Você carrega a ideia de que vida e fim fazem parte do mesmo movimento, e as pessoas se sentem acolhidas por isso. Nas fontes mexicas, Coatlicue, "a da saia de serpentes", é deusa da terra e mãe de Huitzilopochtli, concebido quando uma bola de penas entrou na saia dela. Sua grande estátua mostra serpentes entrelaçadas, um colar de mãos e corações e um crânio, e costuma ser lida como ventre e túmulo ao mesmo tempo. Tratamos tudo isso como metáfora, mitologia histórica e não culto, e a identificação da estátua é debatida entre estudiosos. O lado difícil é o peso: acolher tudo e todos até esquecer que a terra boa também precisa de descanso.
Mictlantecuhtli, O Senhor de Mictlan
Guarda o que acabou e sabe de onde o novo vem
Você não teme o assunto que faz os outros mudarem de conversa, e por isso é quem aguenta ouvir o que ninguém quer. Nas fontes mexicas, Mictlantecuhtli é o senhor de Mictlan, o mundo dos mortos, e guardava os ossos da criação anterior, que Quetzalcóatl foi buscar para fazer a humanidade atual. É mitologia histórica, lida aqui como metáfora de personalidade e não como culto, e esse relato mostra que a morte aparecia dentro de um ciclo, não fora dele. Combina com quem guarda memórias, sustenta o luto e sabe de onde vem o novo. O risco é morar no que passou e tratar todo recomeço como ameaça.
Itzamná, O Senhor do Saber
Escreve, cura e põe o mundo em ordem
Você junta curiosidade com cuidado: aprende, registra e depois usa o que sabe para ajudar. Na mitologia maia antiga, registrada em códices e relatos coloniais, Itzamná é o velho criador, associado à escrita, à adivinhação, à medicina e aos céus. Um dicionário colonial yucateco o descreve como quem descobriu a arte das letras. Aparece quase sempre como um ancião de olho grande e quadrado. Lido como metáfora de traço, mitologia histórica e não prática, combina com mestres, escribas e quem ensina com paciência. O lado difícil é a distância de quem tudo sabe: ensinar sem se deixar ensinar e guardar o conhecimento num pedestal.
Kukulkán, A Serpente Emplumada Maia
Faz o tempo e a luz descerem em ordem
Você tem o dom de criar ritmo: quando entra num projeto, o tempo ganha forma e as pessoas sabem onde pisar. Em Chichén Itzá, a escada norte de El Castillo desenha uma sombra de serpente nos equinócios, lida pelo INAH como a descida do deus para fecundar a terra. O culto de Kukulkán é descrito como vindo de Tula, ligado ao nome de Quetzalcóatl. No Popol Vuh, o parente k'iche' Q'uq'umatz, a "Serpente Quetzal", aparece ligado à água e entre os grandes sábios. Lemos isso como metáfora, mitologia histórica e não prática. O lado difícil é a pose de monumento: cuidar mais do efeito e da imagem do que de quem vive embaixo da sombra.
Ix Chel, A Avó Tecelã
Cura, tece e sabe quando a chuva precisa cair
Você é a pessoa de colo e de jarro cheio: cuida, ensina e sabe a hora de deixar a água correr. Nas fontes maias, Ix Chel é a avó criadora, ligada à medicina, ao parto, à tecelagem e à água. Segundo a tradição, foi a primeira mulher a fiar algodão, tecer, ter filhos e ser parteira, e, no Códice Dresden, ela derrama a água do jarro e inunda o mundo. Em algumas leituras, aparece ligada à Lua, embora isso seja debatido. É mitologia histórica, lida como metáfora de personalidade e não como prática de ninguém. O lado difícil é a medida: cuidar tanto dos outros que a água do jarro, uma hora, transborda.
Chaac, O Portador do Raio
Traz a chuva que salva e o raio que sacode
Você chega com energia de chuva forte: quando entra em cena, o ar muda e as coisas começam a andar. Na mitologia maia registrada em códices e na arte antiga, Chaac é o senhor da chuva e da tempestade, reconhecido pelo nariz longo e curvado para baixo e pelo machado que lança o raio. Em Chichén Itzá, máscaras suas decoram o Anexo das Monjas e a frente do Templo dos Guerreiros. A água que ele traz dá vida às plantações; o raio, que também é dele, lembra que força demais destrói. Lido como metáfora, mitologia histórica e não prática. O ponto difícil é a trovoada: dizer tudo de uma vez, no volume máximo.
Hunahpu e Xbalanque, Os Heróis Gêmeos
Vencem na esperteza e voltam do fim com mais força
Você é metade de uma dupla que resolve problemas rindo, e a outra metade geralmente está ao seu lado. No Popol Vuh, livro k'iche' compilado em meados do século XVI, Hunahpu e Xbalanque são irmãos caçadores de zarabatana que derrubam o orgulhoso Sete Arara, enfrentam as provas de Xibalba, o mundo dos senhores da morte, e acabam como sol e lua. Lido aqui como metáfora de personalidade, mitologia histórica e não culto: os povos maias vivem hoje, com tradições próprias, e este quiz não fala da religião de ninguém. O lado difícil é ficar esperto demais: transformar tudo em jogo e desprezar quem sente medo de verdade.
Xmucane, A Avó do Dia
Conta os dias, lê os sinais e moe o milho nove vezes
Se existe alguém que sabe contar o tempo e, ao mesmo tempo, cozinhar para quem chega, é você. No Popol Vuh, livro k'iche' compilado em meados do século XVI, Xmucane e Xpiyacoc são os avós do Dia e da Luz, adivinhos que lançam sementes e contam os dias para ajudar na criação. Ela é também a parteira e a que mói o milho amarelo e o branco nove vezes, de onde sai a carne dos primeiros humanos. É mitologia histórica lida como metáfora, não prática; os "contadores de dias" maias existem até hoje, com tradições próprias. O lado difícil é o peso da avó: querer guiar todos e sofrer em silêncio quando o milho seca.
Hurakán, O Coração do Céu
Concebe primeiro e deixa os outros darem forma
Você é quem tem a ideia de fundo, o "o quê" e o "por quê", e confia aos outros o "como". No Popol Vuh, livro k'iche' compilado em meados do século XVI, o Coração do Céu, chamado Hurakán, é o deus principal: aparece em todas as fases da criação e é o primeiro a conceber o que será formado, junto com o Soberano e a Serpente Quetzal. Tem três raios: Raio Hurakán, Raio Mais Novo e Raio Súbito. Lido aqui como metáfora, mitologia histórica e não prática, combina com quem lidera pelo sentido. O lado difícil é a cobrança de ordem: quando o resultado não sai como pensado, destrói a obra e começa de novo.