Redes

VLSM na prática: alocar e agregar sub-redes

Uma calculadora de sub-rede responde “o que é este bloco”. Este guia responde a pergunta que vem depois: “como divido um bloco real entre departamentos de tamanhos diferentes, e como junto tudo de volta numa rota só”. É a metade prática do assunto. A teoria de prefixo CIDR, máscara e IPv6 está no guia irmão [CIDR, sub-rede IPv4 e IPv6](guide:cidr-subnet-ipv4-ipv6); aqui a gente parte dela e vai direto ao trabalho: planejar um endereçamento inteiro com VLSM, endereço a endereço, e depois fazer o caminho inverso, agregar sub-redes contíguas numa única rota (sumarização). Dividir e juntar são os dois movimentos que sustentam o roteamento da internet, e os dois seguem a mesma aritmética de potências de dois.

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  • VLSM
  • Subnetting
  • Agregação de rotas
  • CIDR
  • Redes

Resumo rápido

  • VLSM é um problema de alocação com uma regra só: atenda primeiro a maior sub-rede. Fora de ordem, o espaço fragmenta e o plano não fecha.
  • Dimensione pelo host: prefixo = 32 − ceil(log2(N + 2)). Num enlace ponto a ponto use /31 (RFC 3021), que entrega os 2 endereços sem desperdício.
  • Sumarizar é o caminho de volta: 2^k blocos contíguos e alinhados viram um prefixo k bits mais curto, basta achar o prefixo comum mais longo em binário.
  • O roteador escolhe sempre a rota de prefixo mais longo. Só agrega o que é contíguo e alinhado; blocos soltos incham a tabela BGP, que passou de 1 milhão de rotas IPv4 em 2026.

VLSM é um problema de alocação

Antes do CIDR, uma rede usava uma máscara única para todas as suas sub-redes, comprimento fixo. Isso significa que um enlace entre dois roteadores, que precisa de 2 endereços, recebe o mesmo bloco de um departamento com 50 máquinas. Se a máscara comum for /26, cada enlace ponto a ponto queima 64 endereços para usar 2, desperdiçando 62. Em um único /24 (256 endereços) isso estoura em poucos enlaces. VLSM (Variable Length Subnet Masking) resolve o problema deixando cada sub-rede ter a sua própria máscara: o departamento fica com um /26, o enlace fica com um /31, e ninguém rouba espaço de ninguém.

Máscara fixa (sem VLSM)

  • Uma máscara para toda a rede: você dimensiona pela MAIOR sub-rede e aplica a todas.
  • Um enlace de 2 hosts com um /26: 62 endereços jogados fora por enlace.
  • Simples de configurar, caro em endereços, impraticável em IPv4 escasso.

VLSM

  • Cada sub-rede recebe a menor máscara que a comporta.
  • O enlace de 2 hosts vira um /31; o desperdício some.
  • Exige planejamento e ordem de alocação, o assunto deste guia.

Dimensionar cada sub-rede

Um prefixo /n reserva n bits para a rede e deixa 32 − n bits para os hosts. O número de endereços é 2 elevado aos bits de host, e os utilizáveis são esse total menos 2, o primeiro endereço identifica a rede e o último é o broadcast, e nenhum dos dois vai numa placa de rede. Para planejar, você faz o caminho inverso: parte do número de hosts e acha o prefixo.

H = 2^(32 - n) - 2
H
hosts utilizáveis na sub-rede
n
prefixo (bits de rede)
32 - n
bits de host
- 2
endereço de rede e broadcast, não atribuíveis
Quantos hosts um prefixo comporta. O −2 vale de /30 para baixo; /31 e /32 são exceções (ver adiante).
n = 32 - ceil( log2( N + 2 ) )
N
hosts de que você precisa
+ 2
reserva rede + broadcast
ceil
arredonda para cima (não dá para pedir meio bit)
O prefixo necessário para N hosts. Exemplo: N = 50 → log2(52) ≈ 5,70 → ceil = 6 → n = 26. Arredonde sempre para cima. Num enlace de 2 hosts, aplique a regra do /31 (RFC 3021) em vez de /30, é o que a calculadora faz.

Na prática você raramente calcula o logaritmo: decora o tamanho do bloco de cada máscara e anda por ele. O “tamanho do bloco” é de quantos em quantos endereços as sub-redes começam. Um /26 tem bloco 64, então as redes ficam em .0, .64, .128 e .192; um /28 tem bloco 16 e começa em .0, .16, .32 e assim por diante. Saber o tamanho do bloco é o que deixa você listar rede, primeiro host, último host e broadcast de cabeça.

O tamanho do bloco é a ferramenta prática do subnetting: ele diz onde a próxima rede começa.
PrefixoTamanho do blocoHosts utilizáveisOnde as redes começam (último octeto)
/25128126.0, .128
/266462.0, .64, .128, .192
/273230.0, .32, .64, …
/281614.0, .16, .32, …
/2986múltiplos de 8
/3042múltiplos de 4
/3122 (RFC 3021)múltiplos de 2

Um plano completo, endereço a endereço

Vamos levar um caso do começo ao fim. Uma empresa recebeu o bloco privado 192.168.1.0/24 (espaço da RFC 1918) e precisa endereçar quatro departamentos e três enlaces ponto a ponto entre roteadores: Vendas com 50 hosts, Engenharia com 20, Suporte com 10, Financeiro com 5, e três enlaces de 2 endereços cada. Tudo dentro dos 256 endereços de um único /24. O algoritmo do VLSM é sempre o mesmo.

  1. Liste e ordeneAnote cada segmento com o número de hosts e ordene do maior para o menor: Vendas 50, Engenharia 20, Suporte 10, Financeiro 5, e os três enlaces de 2.
  2. Arredonde para a potência de 2Para cada um, ache o menor bloco que cabe: 50 → /26 (bloco 64), 20 → /27 (32), 10 → /28 (16), 5 → /29 (8), 2 → /31 (2, pela RFC 3021).
  3. Aloque em sequênciaComece no início do /24 (.0) e ande o tamanho do bloco a cada alocação: .0 (Vendas), .64 (Engenharia), .96 (Suporte), .112 (Financeiro), depois .120, .122 e .124 para os enlaces.
  4. Alinhe cada blocoToda rede começa num múltiplo do seu tamanho de bloco. Se o cursor cair no meio de uma fronteira, pule para a próxima, é aqui que alocar fora de ordem abre buracos.
  5. Repita e confiraRepita até o último segmento e confira que nenhuma faixa se sobrepõe e que tudo cabe. No caso, o último endereço usado é .125, sobram .126 a .255 para crescer.
O plano fechado: cada sub-rede começa exatamente onde a anterior terminou, sem buraco e sem sobreposição. Nos enlaces /31 não há rede nem broadcast, os dois endereços são dos roteadores.
Sub-redeHosts nec.PrefixoRedeFaixa útilBroadcast
Vendas50/26192.168.1.0.1 – .62192.168.1.63
Engenharia20/27192.168.1.64.65 – .94192.168.1.95
Suporte10/28192.168.1.96.97 – .110192.168.1.111
Financeiro5/29192.168.1.112.113 – .118192.168.1.119
Enlace R1–R22/31192.168.1.120.120 – .121
Enlace R2–R32/31192.168.1.122.122 – .123
Enlace R3–R42/31192.168.1.124.124 – .125

Repare em como o encaixe fecha: Vendas ocupa .0–.63, então Engenharia começa em .64; ela vai até .95, então Suporte começa em .96; e assim por diante, sem um único endereço perdido entre as faixas. O total consumido é 64 + 32 + 16 + 8 + 2 + 2 + 2 = 126 endereços, deixando 130 livres (.126 a .255). É exatamente esse encaixe que o modo VLSM da calculadora de sub-rede automatiza, inclusive somando quantos endereços cada faixa desperdiça. Cole o /24 e as sete demandas no bloco abaixo e compare com a tabela.

Modo VLSM: informe 192.168.1.0/24 e as demandas (50, 20, 10, 5, 2, 2, 2). A ferramenta ordena, aloca e mostra rede, faixa e desperdício de cada sub-rede, os mesmos números da tabela.Abrir a ferramenta em página inteira
Vendas /2612
Engenharia /2710
Suporte /284
Financeiro /291
R1–R2 /310
R2–R3 /310
R3–R4 /310
O custo de arredondar para a potência de 2: endereços utilizáveis alocados menos hosts necessários, por sub-rede (o desperdício que a calculadora reporta). O custo se concentra nos blocos grandes cuja demanda ficou logo acima de uma fronteira; os três enlaces /31 desperdiçam zero, é o ganho da RFC 3021.
Ver os dados
CategoriaValor
Vendas /2612
Engenharia /2710
Suporte /284
Financeiro /291
R1–R2 /310
R2–R3 /310
R3–R4 /310

Sumarização: o caminho de volta

Subnetting divide um bloco em pedaços menores; a sumarização (ou agregação de rotas, ou supernetting) faz o oposto: junta vários blocos vizinhos numa única rota mais curta. É isso que impede a tabela de roteamento da internet de listar cada rede individualmente. Um provedor que recebeu um /16 pode anunciar aos vizinhos uma única rota /16 em vez das 256 rotas /24 que existem dentro dele. Menos entradas, menos memória no roteador, convergência mais rápida. A RFC 4632, a especificação do CIDR, foi escrita justamente em torno dessa alocação hierárquica: distribuir endereços em blocos que possam ser agregados sobe a hierarquia.

Sumarização / agregação
Representar um conjunto de sub-redes contíguas por um único prefixo mais curto que as cobre todas.
Supernet
O prefixo agregado, mais curto que as sub-redes que engloba (o oposto de uma sub-rede).
Prefixo comum mais longo
A quantidade de bits iniciais idênticos em todos os blocos; é ele que vira o prefixo do agregado.
  1. 1993CIDR (RFC 1519)

    O prefixo de comprimento variável substitui as classes A/B/C e introduz a agregação como remédio para o crescimento da tabela de rotas.

  2. 1995Tabela VLSM (RFC 1878)

    Publica a tabela de máscaras de sub-rede que virou referência de bolso. É Informacional e hoje está classificada como Histórica, útil como referência, sem valor normativo.

  3. 1996Espaço privado (RFC 1918)

    Reserva 10.0.0.0/8, 172.16.0.0/12 e 192.168.0.0/16 para redes internas, o espaço onde a maioria dos planos VLSM acontece.

  4. 2000/31 em enlaces (RFC 3021)

    Autoriza o /31 em enlaces ponto a ponto: os dois endereços viram host, sem rede nem broadcast, economizando 2 endereços por enlace.

  5. 2006CIDR consolidado (RFC 4632)

    Substitui a RFC 1519 e vira a Prática Corrente (BCP 122) que ainda rege alocação e agregação de endereços na internet.

Agregando quatro /26 num /24

Achar o agregado é um exercício de olhar os endereços em binário e ver até onde os bits coincidem. Pegue as quatro sub-redes /26 do mesmo /24: 192.168.1.0/26, 192.168.1.64/26, 192.168.1.128/26 e 192.168.1.192/26. Elas são contíguas e juntas cobrem de .0 a .255. Escreva as redes em binário e alinhe os prefixos:

192.168.1.0/26    11000000.10101000.00000001.00000000
192.168.1.64/26   11000000.10101000.00000001.01000000
192.168.1.128/26  11000000.10101000.00000001.10000000
192.168.1.192/26  11000000.10101000.00000001.11000000
                  └──────── 24 bits ───────┘ ↑↑
                                             estes 2 bits variam: 00 01 10 11

192.168.1.0/24    11000000.10101000.00000001.00000000

atalho: 2^2 = 4 blocos contiguos e alinhados  ->  26 - 2 = /24
Os três primeiros octetos (192.168.1) são iguais nas quatro: 24 bits idênticos. No último octeto, só os dois primeiros bits mudam, assumindo 00, 01, 10 e 11. Como esses 2 bits variam, o prefixo comum mais longo é 24, o agregado é 192.168.1.0/24. Atalho: 4 = 2^2 blocos contíguos e alinhados, então o prefixo encurta 2 bits (26 − 2 = 24).

Duas condições precisam valer para o agregado ser honesto. Primeiro, os blocos têm de ser contíguos e não deixar buracos, as quatro /26 preenchem o /24 inteiro. Segundo, o agregado tem de estar alinhado: um /24 começa em .0, e é lá que a primeira /26 começa. Se você só tivesse três das quatro /26 (digamos, sem a .192/26), anunciar um /24 seria mentira, porque incluiria .192–.255, que não são suas. O melhor possível ali seria agregar as duas primeiras num /25 (192.168.1.0/25 cobre .0–.127) e deixar a .128/26 sozinha, duas rotas em vez de uma. Blocos não contíguos, ou que cruzam uma fronteira de potência de dois, simplesmente não agregam.

Quando o mesmo destino casa com mais de uma rota, o roteador não fica em dúvida: ele encaminha pela rota de prefixo mais longo, a mais específica. A RFC 1812 (Requisitos para roteadores IPv4) exige esse comportamento, o longest prefix match. É por isso que uma rota /24 mais específica vence a supernet /16 que a contém, e que anunciar um bloco mais específico atrai o tráfego daquela faixa mesmo com uma rota agregada existindo. Agregação encolhe a tabela; more-specifics a incham de novo, e essa é a tensão permanente do roteamento global. Em janeiro de 2026, a tabela BGP IPv4 já rondava 1,05 milhão de rotas, com prefixos /24, /23 e /22 respondendo por 84% do total, sinal de quanta desagregação existe. O número cresce e deve ser lido como ordem de grandeza, não como um valor fixo.

Conferência e casos-limite

  • Ordenou da maior sub-rede para a menor antes de alocar.
  • Cada rede começa num múltiplo do seu tamanho de bloco (fronteira correta).
  • Aplicou o −2 nos blocos /30 ou maiores; usou /31 nos enlaces ponto a ponto.
  • Nenhuma faixa se sobrepõe e tudo cabe no bloco de origem.
  • O gateway não caiu no endereço de rede nem no de broadcast.
  • Para agregar: blocos contíguos, em número potência de 2, alinhados na fronteira do agregado.
/31 em enlaces ponto a ponto: por que economiza 2 endereços

Um enlace entre dois roteadores tem exatamente dois pontos. Com um /30 clássico, o bloco de 4 endereços gasta 1 com a rede, 1 com o broadcast e sobram 2 para os roteadores, metade jogada fora. A RFC 3021 observou que um enlace ponto a ponto não precisa de broadcast (só há um outro lado para falar) nem de um endereço de rede separado, e autorizou o /31: os 2 endereços do bloco viram, ambos, endereços de host. Resultado: 2 endereços usados de 2 alocados, desperdício zero, contra 2 de 4 no /30.

No caso deste guia, os três enlaces em /31 gastam 6 endereços no total. Em /30 gastariam 12, o dobro. A economia de 2 por enlace parece pequena, mas em uma rede com centenas de enlaces WAN ela devolve blocos inteiros. O único cuidado é que equipamentos muito antigos podem não suportar /31; nesse caso, o /30 continua sendo o recuo seguro.

Longest prefix match: como o roteador escolhe

A tabela de roteamento pode ter várias rotas que casam com o mesmo destino: uma rota default 0.0.0.0/0, uma supernet /16, uma /24 específica e até uma /32 de host. O roteador não soma nem sorteia, ele escolhe a de prefixo mais longo, isto é, a que combina mais bits com o destino. Uma /24 (24 bits combinando) vence uma /16 (16 bits); uma /32 vence todas. É esse critério, exigido pela RFC 1812, que faz agregação e anúncios mais específicos conviverem: a supernet cobre o geral, e uma rota mais específica desvia exatamente a faixa que precisa de tratamento diferente.

Quando VLSM não vale a pena

VLSM troca endereços por complexidade. Em IPv4 privado, onde você tem um /8 inteiro (16 milhões de endereços) para brincar, muitas equipes deliberadamente padronizam tudo em /24: cada VLAN vira um /24, o terceiro octeto vira o número da VLAN, e a leitura do plano fica trivial. Desperdiça endereços que ninguém sente falta e elimina erros de fronteira. Reserve o VLSM apinhado para onde o espaço é escasso de verdade, blocos públicos, um /24 único como no exemplo, ou enlaces WAN, e não para uma rede interna folgada.

Em IPv6 a conta muda por completo: a recomendação é dar um /64 a cada sub-rede independentemente do número de hosts, então não existe “dimensionar pelo host”. O que sobrevive do VLSM lá é a hierarquia de prefixos e a agregação; a sumarização, aliás, importa ainda mais em IPv6.

Com o plano fechado, o guia de IP público e privado ajuda a decidir quais dessas faixas saem para a internet via NAT e quais ficam só na LAN. E se a teoria do prefixo e da máscara ainda parece nebulosa, volte ao guia irmão de CIDR, sub-rede IPv4 e IPv6 antes de configurar em produção.

Perguntas frequentes

Por que alocar da maior sub-rede para a menor?
Porque os blocos grandes só encaixam em fronteiras específicas (um /26 começa em múltiplos de 64). Se você coloca os pequenos primeiro, eles caem no meio dessas fronteiras e não sobra mais um trecho contíguo grande o suficiente para o bloco grande. Começando pelo maior, cada bloco acha sua fronteira e os menores preenchem o resto sem buracos nem sobreposição.
Qual a diferença entre subnetting e sumarização?
São movimentos opostos. Subnetting divide um bloco em sub-redes menores (prefixo mais longo), para organizar uma rede interna. Sumarização, ou agregação, junta sub-redes contíguas em um único prefixo mais curto (a supernet), para encolher a tabela de roteamento. Um administrador faz subnetting dentro da sua rede; provedores e roteadores de borda fazem sumarização para anunciar menos rotas ao mundo.
Devo usar /30 ou /31 em um enlace ponto a ponto?
Use /31 quando os equipamentos suportarem. A RFC 3021 permite o /31 em enlaces ponto a ponto: os 2 endereços do bloco viram host, sem rede nem broadcast, e você economiza 2 endereços por enlace em relação ao /30. O /30 (2 hosts úteis de 4 endereços) só continua fazendo sentido em hardware antigo que não implementa /31.
Como sei se um conjunto de sub-redes pode ser agregado?
Três condições: os blocos precisam ser contíguos (sem buracos), precisam ser em número potência de 2 (2, 4, 8…), e o primeiro tem de estar alinhado na fronteira do agregado. Se valerem as três, escreva as redes em binário e conte os bits iniciais idênticos, esse é o prefixo comum mais longo, e ele é o prefixo da supernet. Quatro /26 contíguas alinhadas, por exemplo, viram um /24 (26 − 2 = 24).
O que é longest prefix match?
É a regra de encaminhamento: quando um destino casa com várias rotas, o roteador escolhe a de prefixo mais longo, ou seja, a mais específica. Uma /24 vence uma /16 que a contenha; uma /32 vence todas. A RFC 1812 exige esse comportamento, e é ele que permite conviver uma rota agregada (geral) com rotas mais específicas (que desviam faixas pontuais).
VLSM existe em IPv6?
O conceito de máscaras de comprimento variável existe, mas o uso muda. Em IPv6 a recomendação é dar um /64 a cada sub-rede, independentemente de quantos hosts ela tem, o espaço é gigantesco, então não se dimensiona pelo host como em IPv4. O que continua valendo é a hierarquia de prefixos e a agregação de rotas; aliás, a sumarização importa ainda mais em IPv6 para manter a tabela de roteamento enxuta.

VLSM é alocação: ordene do maior para o menor, dimensione cada sub-rede com prefixo = 32 − ceil(log2(N + 2)), aloque em sequência respeitando o tamanho do bloco e use /31 nos enlaces ponto a ponto (RFC 3021). O caminho de volta é a sumarização: 2^k blocos contíguos e alinhados viram um prefixo k bits mais curto, achado pelo prefixo comum mais longo em binário. Só agregue o que é contíguo e alinhado, e lembre que o roteador sempre encaminha pela rota mais específica (longest prefix match).

Fontes e referências

  1. RFC 4632, CIDR: The Internet Address Assignment and Aggregation Plan (BCP 122)
  2. RFC 3021, Using 31-Bit Prefixes on IPv4 Point-to-Point Links
  3. RFC 1918, Address Allocation for Private Internets (BCP 5)
  4. RFC 1812, Requirements for IP Version 4 Routers (longest prefix match)
  5. RFC 1878, Variable Length Subnet Table For IPv4 (Informacional, Histórica)
  6. G. Huston (APNIC), BGP in 2025 (tamanho da tabela BGP, jan/2026)