O Simuladista

Como usar simulados para estudar: análise de erros sem perder o sono

Fazer simulado está entre as coisas mais úteis que um estudante faz: a pesquisa sugere que a prática de recuperação é uma das técnicas de maior utilidade (Dunlosky et al., 2013; Roediger e Karpicke, 2006). Você já treina assim e ainda planeja com antecedência, o que é raro.

O que decide o rendimento é o que acontece depois da correção. Aqui entram a análise de erros em uma frase, a explicação do conceito e a proteção do sono. E um aviso: o simulado é um termômetro, não uma meta.

Fazer o teste

Plano de ação

  1. Faça o simulado em condição de prova

    Sábado, 9h: cronômetro ligado, sem consulta, sem celular, mesma duração da prova real. Pare quando o tempo acabar, mesmo no meio de uma questão. Circule as que você chutou, porque acerto por chute é lacuna disfarçada e precisa entrar na análise junto com os erros.

  2. Corrija no mesmo dia, mas não de madrugada

    Logo depois, 20 minutos: confira o gabarito e conte erros e chutes certos juntos. Corrigir cansado dá uma leitura torta do seu nível e deixa o erro menos claro. Se o simulado terminou tarde, deixe a análise para a manhã seguinte e vá dormir.

  3. Escreva uma frase por erro

    Monte uma planilha com três colunas: questão, tema, motivo. O motivo cabe numa frase: "confundi X com Y", "não lembrava a fórmula", "li o enunciado pela metade". Em duas semanas o padrão aparece sozinho, e muitas vezes o problema é atenção, não conteúdo. Cada tipo de erro pede um remédio diferente.

  4. Explique o conceito certo com suas palavras

    Domingo, 30 minutos: pegue os três temas que mais apareceram na planilha e explique cada um em voz alta, sem gabarito, até resolver uma questão parecida. A autoexplicação tem utilidade moderada (Dunlosky et al., 2013), e aqui ela cobre o seu ponto cego: acertar por padrão sem entender o porquê.

  5. Refaça os erros dois a quatro dias depois

    Quarta, 25 minutos: refaça as questões erradas sem olhar a anotação. Espaçar o retorno rende mais do que repetir tudo em sequência (Cepeda et al., 2006). Acertou? Passa para um retorno daqui a uma semana. Errou de novo? Volta para a lista e ganha um exemplo resolvido antes da próxima tentativa.

  6. Proteja o sono nos dias de simulado

    Defina uma hora de parar: nada de simulado depois das 21h e sete horas na cama. Walker e Stickgold (2006) sugerem que o sono ajuda a consolidar a memória, e a análise que você fez à tarde precisa dormir para ficar. Para acertar a hora de deitar, teste a calculadora de ciclos de sono com o horário em que você acorda.

Armadilhas comuns

  • Caçar nota de simulado

    Quando a nota vira placar, você começa a escolher simulados fáceis. Um simulado em que você erra bastante é um bom diagnóstico, e isso é uma boa notícia.

  • Simulado em cima de simulado

    Três por semana sem análise é repetir o mesmo tropeço três vezes. Um simulado bem analisado vale mais do que dois só corrigidos.

Perguntas frequentes

Um completo e um ou dois curtos, de 30 a 45 minutos, é uma carga razoável. Mais que isso só vale se você continuar fazendo a análise dos erros.

Guias dos outros resultados

Ferramentas que ajudam