O Fichário Vivo
Flashcards e repetição espaçada: como fazer cartões que ensinam a pensar
Você já tem o que muita gente nunca monta: um baralho de cartões e quinze minutos por dia. A pesquisa sugere que testar-se e espaçar as revisões estão entre as técnicas de maior utilidade (Dunlosky et al., 2013; Cepeda et al., 2006). Seu método está no caminho certo.
O ponto cego do fichário é o cartão que pede só a definição. Aqui você aprende a escrever cartões de "por quê" e "como", a ligar os cartões ao conjunto e a manter sessões curtas que funcionam de verdade.
Fazer o testePlano de ação
Faça uma auditoria de dez cartões
Hoje, 10 minutos: abra o baralho, sorteie dez cartões e classifique cada um. Ele pede um nome, uma definição ou um raciocínio? Se nove forem nome ou definição, você achou a proporção a corrigir. Não apague nada: o baralho continua útil, só precisa de companhia.
Crie um cartão de "por quê" para cada dez de fatos
Em vez de "O que é inflação?", escreva "Por que um aumento de juros tende a esfriar o consumo?". A resposta cabe em duas frases, com palavras suas. Segunda, 20 minutos: escreva cinco cartões assim a partir do capítulo da semana. Responder exige montar a cadeia de causas, e não só puxar uma frase pronta.
Acrescente cartões de "como" e de "compare"
Exemplos: "Como resolver uma equação do segundo grau com delta negativo?" ou "Compare mitose e meiose em três diferenças". No verso, escreva o passo a passo de um caso resolvido. Esses cartões treinam aplicação, que a definição sozinha não treina, e preparam você para a questão que foge do molde.
Ligue os cartões ao conjunto
Quarta, 15 minutos: escolha um tema e, sem cartões, desenhe num papel os conceitos ligados por setas, com uma palavra em cada seta ("causa", "faz parte de"). Onde não conseguir ligar, crie dois cartões sobre aquela ligação. Isso devolve a visão do conjunto que estudar em pedacinhos faz perder.
Mantenha sessões curtas, no mesmo horário
Quinze minutos por dia, depois do café, por exemplo. Pare quando o tempo acabar, mesmo com cartões pendentes: o aplicativo reagenda. Voltar em intervalos é o que Cepeda et al. (2006) sugerem render mais do que concentrar tudo, e a maratona de domingo não substitui os quinze minutos diários.
Responda por inteiro antes de virar o cartão
Fale ou escreva a resposta completa antes de ver o verso, e só marque "acertei" se ela tinha os pontos principais. Marcar "quase" como certo infla o seu placar e engana o algoritmo, que passa a mostrar o cartão cada vez mais tarde. Honestidade aqui é o que mantém o método funcionando.
Armadilhas comuns
Contar cartões revisados como progresso
Duzentos cartões em uma hora é um número bonito. A pergunta é se, diante de um problema novo, você sabe o que fazer com o que lembrou.
Transformar o livro inteiro em cartões
Fazer cartão demais é a versão em papel do marca-texto: parece trabalho e acumula dívida. Crie só do que vale a pena lembrar daqui a um mês.
Cartões novos demais por dia
Se você cria 40 por dia, em duas semanas a fila de revisão fica impossível e você abandona tudo. Dez a quinze novos por dia costumam ser sustentáveis.
Perguntas frequentes
Qualquer um com intervalos crescentes serve. O conteúdo do cartão pesa mais que o aplicativo, e o papel funciona com três caixas: todo dia, a cada três dias, toda semana.