O Explicador de Parede

Técnica de explicar para aprender: como fazer a explicação ser lembrada também

Explicar em voz alta é um dos seus melhores hábitos. Em segundos você descobre onde a explicação esburaca, e a pesquisa sugere que a autoexplicação tem utilidade moderada para entender de verdade (Dunlosky et al., 2013). O que ela não garante sozinha é que, daqui a duas semanas, você consiga refazer a mesma explicação sem ajuda.

Este guia soma duas coisas à sua parede: retorno espaçado e testes curtos. A ideia não é explicar mais, é explicar de novo na hora certa. Tudo cabe em 25 a 40 minutos por dia.

Fazer o teste

Plano de ação

  1. Dê um dia da semana para cada tópico

    Domingo à noite, 10 minutos: liste os tópicos da prova e escreva ao lado o dia da primeira explicação, de segunda a sexta. Um tópico por dia evita o clássico de explicar tudo numa tarde e nunca mais voltar. Se a prova tem 14 tópicos, comece pelos cinco que parecem mais difíceis, não pelos de que você gosta.

  2. Explique em voz alta com tudo fechado

    Segunda, 20 minutos: feche livro e caderno e explique o tópico como se falasse com um primo de 15 anos, incluindo um exemplo concreto. Grave no celular, se quiser. Cada vez que travar ou disser "é tipo aquela coisa que...", faça um risco num papel. Os riscos são as suas lacunas, e a gravação é mais honesta que a sua memória do que você falou.

  3. Feche só as lacunas, sem reler o capítulo

    Logo depois, 10 minutos: abra o material, ache apenas os pontos marcados e explique cada um de novo em uma ou duas frases. Anote cada lacuna numa linha do bloco de notas, com a data. Reler o capítulo inteiro pareceria mais completo, mas a pesquisa coloca a releitura entre as técnicas de baixa utilidade.

  4. Volte ao tópico em três dias, sem anotações

    Quinta, 10 minutos: explique o tópico de segunda do zero. Se saiu redondo, empurre a próxima explicação para daqui a uma semana. Se travou, repita na sexta e na semana seguinte. Esse intervalo é a prática distribuída, que Cepeda et al. (2006) sugerem render mais do que concentrar tudo num bloco só.

  5. Escreva três perguntas por tópico e responda no dia seguinte

    Depois de explicar, escreva três perguntas que a explicação responde: uma de "por quê", uma de "o que acontece se" e uma de nome, data ou fórmula. No dia seguinte, 5 minutos, responda por escrito sem consultar. É o efeito do teste descrito por Roediger e Karpicke (2006), e ele cobre exatamente o que a conversa solta deixa passar: termos, números, fórmulas.

Armadilhas comuns

  • Explicar só o que você já domina

    É gostoso, o discurso sai redondo e quase nada se aprende. Comece sempre pelo tópico em que você mais trava, mesmo que a plateia imaginária fique desconfortável.

  • Confundir fluência com memória

    Explicar bem com o caderno aberto do lado não conta. Se o material estava à vista, você estava lendo em voz alta, não recuperando da memória.

Perguntas frequentes

Não. Parede, gato ou gravador bastam. O que conta é falar em frases completas e em voz alta, porque pensar "já sei" em silêncio engana mais fácil.

Guias dos outros resultados

Ferramentas que ajudam