O Testador Nato
Como usar testes para estudar melhor: quando e o que testar
Você faz o que a pesquisa mais recomenda: tenta lembrar antes de olhar. Dunlosky et al. (2013) colocam a prática de recuperação entre as técnicas de alta utilidade, e Roediger e Karpicke (2006) descrevem o efeito do teste. Você faz isso por instinto, e é ótimo.
O que falta é a hora certa. Testes espalhados com intervalos tendem a render mais (Cepeda et al., 2006), e testar o que você já domina rende pouco. O plano abaixo resolve as duas coisas.
Fazer o testePlano de ação
Hoje: monte a tabela dos intervalos
Para cada tema que você estudou nesta semana, escreva três datas na agenda: amanhã, daqui a 4 dias e daqui a 10 dias. Se você estudou termodinâmica na segunda, os testes caem na terça, no sábado e na quinta da semana seguinte. Marque como aula, com horário, 15 minutos cada. Teste que não está na agenda é teste que acontece quando dá.
Todo teste começa por uma folha em branco
Sem material por perto, escreva ou resolva o que consegue, e só depois confira. Prefira perguntas abertas e problemas a questões de reconhecimento, porque exigem puxar a resposta, não escolher. Se você usa cartões, embaralhe antes de cada rodada para a ordem não virar pista.
Crie a pilha dos erros
Toda pergunta errada ou acertada com dúvida vai para uma pilha separada, física ou numa nota. Nos testes seguintes, comece por ela. As perguntas que você acerta de olhos fechados saem da rotina por duas semanas, e isso libera tempo sem perder nada.
Quinta: um teste misturado de 20 minutos
Pegue seis perguntas de temas diferentes e responda em ordem aleatória. A mistura é mais difícil e dá a sensação de ir pior, mas Bjork e Bjork (2011) argumentam que dificuldades desejáveis fortalecem o aprendizado a longo prazo. Anote sua nota em número, por exemplo 4 de 6, para comparar com o teste seguinte.
Véspera: só o que errou mais de uma vez
Na véspera da prova, abra a pilha e refaça apenas as perguntas que aparecem lá há duas ou mais rodadas. Costuma ser uma lista curta, cabe em 40 minutos. Depois, durma: Walker e Stickgold (2006) sugerem que o sono ajuda a consolidar o que você estudou.
Armadilhas comuns
Testar para se sentir bem
Um simulado onde você só acerta é ótimo ensaio e mau diagnóstico. Se a nota está sempre alta, as perguntas estão fáceis.
Fazer o teste sem corrigir direito
Testar e não conferir deixa o erro intacto. Sempre confira, reescreva a resposta certa e só então siga.
Perguntas frequentes
É uma sugestão prática, não regra de laboratório. A ideia é que cada intervalo seja um pouco maior que o anterior.